Gradow
Ato II
Cena II

"Só se ri das cicatrizes aquele que nunca sentiu uma ferida. Mas... devagar! Qual é a luz que brilha através daquela janela? É o Oriente, e Julieta é o Sol. Ergue-te, ó Sol resplandecente, e mata a Lua invejosa, que já está fraca e pálida de dor ao ver que tu, sua sacerdotiza, és muito mais bela do que ela própria. Não queiras mais ser sua sacerdotiza já que tão invejosa é! As roupagens de vestal são doentias e lívidas, e somente os loucos as usam. Deita-as fora! Esta é minha dama! Oh, eis o meu amor! Se ela o pudesse saber... Está a falar! Não, não diz nada; mas quê isso importa? O seu olhar é que fala e eu vou responder-lhe... Sou ousado demais, não é para mim que ela fala. Duas das mais belas estrelas de todo o firmamento, quando têm alguma coisa a fazer, pedem aos olhos dela que brilhem nas suas esferas até que elas voltem. Oh! Se os seus olhos estivessem no firmamento e as estrelas no seu rosto! O esplendor da sua face envergonharia as estrelas do mesmo modo que a luz do dia faria envergonhar uma lâmpada. Se os seus olhos estivessem no Céu, lançariam, através das regiões etéreas, raios de tal esplendor que as aves cantariam, esquecendo que era noite. Vede como ela enconsta a face à sua mão. Oh! quem me dera ser a luva dessa mão, para poder tocar a sua face."
Gradow
Ato IV
Cena I
"Não me digais, Padre, que sabeis dessa desgraça sem que me digais também como poderei remediá-la. Se na vossa sabedoria não encontrais remédio para mim, dizei somente que aprovais a minha resolução, e com este punhal tudo remediarei."

"Oh! Em vez de casar com Páris, ordenai-me que me atire do alto daquela torre, ou que caminhe por atalhos freqüentados por bandidos; exigi que rasteje entre as serpentes; prendei-me com cadeias a ursos ferozes; encerrai-me durante a noite numa casa mortuária inteiramente coberta de ossos continuamente em estalidos, de tíbias em putrefação e de crânios amarelos e descarnados; mandai-me entrar numa cova aberta de fresco e envolver-me com um morto no mesmo lençol - coisas que só ouvi-las contar me fizeram tremer e que eu faria sem receio ou hesitação para me conservar a esposa sem mancha do meu bem amado."
Gradow
Quem sou eu? Quem pode me responder? Acaso alguém realmente me conhece?
A resposta é que ninguém, senão Deus e eu mesmo, sabe quem eu sou.
A verdade é que desde pequeno sempre tive uma fascinação enorme por máscaras. Nunca pensei, óbvio, o significado oculto delas, apenas achava interessante poder se esconder do mundo. Nunca fui quem sou. Não sou quem fui.
Então, desde pequeno eu criei máscaras. Continuo com elas até hoje. Como você pode afirmar que quem você conhece é o verdadeiro eu? Como pode afirmar que não é uma máscara? Eu posso dizer que tenho pelo menos três. Melhor dizendo, não três máscaras, mas três de mim. Você que está lendo, eu afirmo que você só conhece meu "segundo" eu. Poucos conhecem meu "terceiro" eu, visto que eu abandonei-o há dois anos, e ninguém conhece meu "primeiro" e verdadeiro eu.
O verdadeiro motivo de criar máscaras, eu não sei qual é. Talvez eu tenha tido algum trauma quando pequeno. Talvez eu apenas ache legal. Mas eu acho que o motivo é outro.
Eu acho que é a minha eterna necessidade, que apenas alguns poucos conseguem divisar, de agradar todos ao meu redor. Isso é impossível sendo um só, por isso sou três.
Como qualquer um de vocês que ler isto poderá afirmar que quem escreveu isso não foi escrito por um dos meus "falsos" eus, ou, ainda, que isso é verdade? Nenhum de vocês consegue.
Mas este texto é para UMA pessoa em especial. Não sei se a pessoa sabe que é ela mesma. Mas essa pessoa é a única em que estou disposto a confiar. A única que, creio eu, será capaz de me salvar dos meus eus quem vêm me sufocando recentemente. A única pessoa que, por hora, saberá quem é o verdadeiro eu.
Fica, então, o pensamento e a mensagem. Quer a pessoa entenda ou não.
Gradow
"Trying hard to speak and
Fighting with my weak hand
Driven to distraction
It's all part of the plan.

When something is broken
And you try to fix it
Trying to repair it
Anyway you can.

I dive in at the deep end
And you become my best friend
I want to love you
But I don't know if I can.


I know something's broken
And I'm trying to fix it
Trying to repair it
Anyway I can.

You and me are floating on a tidal wave
Together
You and me are drifting into outer space
And singing

You and me are floating on a tidal wave
Together
You and me are drifting into outer space
You and me are floating on a tidal wave
Together
You and me are drifting into outer space
And singing"
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Tradução:

"Esforçando-me pra falar e
Lutando com minha mão esquerda,
Levado à distração,
É tudo um plano.

Quando algo quebra
E você tenta arrumá-lo,
Tentando consertá-lo
De qualquer jeito.

Eu mergulhei bem fundo
E você se tornou minha melhor amiga
Quero te amar,
Mas não sei se eu consigo


Eu sei que tem algo quebrado
E eu estou tentando arrumá-lo,
Tentando consertá-lo
De qualquer jeito.

Nós dois estamos flutuando numa onda
Juntos
Nós dois estamos entrando no espaço sideral
E cantando

Nós dois estamos flutuando numa onda
Juntos
Nós dois estamos entrando no espaço sideral
Nós dois estamos flutuando numa onda
Juntos
Nós dois estamos entrando no espaço sideral
E cantando"
Gradow
"Ah! Romeu traidor, desleal, pérfido, o mais ingrato dos ingratos! Não foi a dor que matou sua mulher, porque não se morre de dor mas você, cruel, foi o carrasco, foi o assassino. Ela escrevera-lhe que preferia morrer a ser esposada por qualquer outro e que você fosse, de qualquer modo, tirá-la da casa de seu pai. E você ingrato, você indolente, você pouco amoroso, você cão mastim, dizendo-lhe que tudo estava bem, que a faria feliz, ia, no entanto, adiando dia após dia, não conseguindo encontrar meios para a satisfação da sua vontade. Agora, você está com as mãos na cintura e Julieta está morta. Julieta está morta e você vivo! Ah! traidor, quantas vezes lhe escreveu e de viva voz lhe disse que sem ela não poderia viver? E no entanto, você ainda vive. Onde pensa que ela está? Aqui dentro deste quarto ela está vagando e, esperando que você a siga, diz: 'Eis o mentiroso, eis o falaz amante e marido infiel que, ao saber que estou morta, insiste em viver'. Perdoa-me, perdoa-me, minha querida mulher, pois confesso o meu gravíssimo pecado. Mas, se a dor que sinto, desmesuradamente penosa, não é suficiente para tirar-me a vida, eu mesmo cumprirei o dever que a dor deveria cumprir. E desgostoso com a dor e com a morte que não querem me ajudar, eu mesmo me matarei".
Gradow
"Julieta, o amor que lhe dedico é a razão para que eu, a esta hora, aqui venha e não duvido nada que, se pelos seus fosse encontrado, me procurassem matar. Mas esforçar-me-ei, o quanto me permitirem as minhas frágeis forças, para defender a minha vontade e se, entretanto, sobre mim avançarem essas insensatas forças, tudo farei para me defender. E se, de qualquer modo, for necessário morrer nesta empresa amorosa, que coisa mais afortunada pode me acontecer do que morrer ao seu lado? Que eu nunca tenha motivo para manchar uma mínima parte de sua honra - creio que isto jamais acontecerá - pois, para preservá-la intacta, oferecerei meu próprio sangue. Mas se o meu amor fosse tão importante para você como o seu é para mim, e se você se importasse tanto com a minha vida como eu me importo com a sua, você acabaria com esta situação e me faria o homem mais feliz do mundo."
Gradow
"Love, I hope we get old
I hope we can find a way
Seeing it all
Love, I hope we can be
I hope I can find a way
Of letting you see
That I'm so easy to please
So easy

Love, I hope we grow old
I hope we can find a way
Of seeing it all
Love, I hope we can be
I hope I can find a way
Of letting you see
That I'm so easy to please
So easy"