Gradow
Esses dias tenho lido o livro de Eclesiastes e ele acabou se tornando meu favorito de todos os Poéticos e Sapienciais. Por quê? Por causa que ele prova uma coisa que Nietszche já dizia e eu sempre disse, mesmo antes de conheçê-los: Tudo é vaidade.
Como eu já disse no post "Erro", se não ficou claro pra ninguém, tudo é vaidade. Se você que está lendo isto aqui é um retardado e ainda não entendeu, não adianta dizer que você não consegue, porque tudo é vaidade.
"Mas, como assim, tudo é vaidade"? Exatamente o que a expressão quer dizer, TUDO é vaidade. Já parou para pensar nisso? Tudo que você faz na vida é por interesse, e isso é vaidade. Se você se culpa por um erro, é vaidade, pois você vira seus olhos somente para si. Se você culpa os outros pelo erro, é vaidade, pois você se acha tão "bom" que não pode ser culpa sua. Se você acha que a culpa é de todos, é vaidade, porque toda humildade, exceto a de Jesus, é vã. Se você acha que a culpa não é de ninguém, é vaidade, pois joga a culpa em Deus.
Interessante isso não é mesmo? Outra coisa interessante, pra quem não entendeu parte do post acima, é pensar a origem da palavra vaidade. O radical é vaid e isso não lembra muita coisa, certo? Mas se analisarmos outra língua formada pelo Latim, Língua Mãe do Português, como o Inglês? "Vaidade" em inglês é "Vanity". No inglês o sufixo -ity quase sempre é usado quando você transforma um adjetivo em substantivo e vaidade se encaixa nisso. Como capable vira capacity (capaz vira capacidade), Vain vira Vanity. Dou uma bala pra quem acertar o quê é Vain. Isso mesmo: Vão. Como em Português isso não é adjetivo, fica difícil entender, mas basta olharmos o que é adejtivo e com mesmo significado.
Então, como Capacidade é o poder de ser Capaz, Vaidade é o poder de ser Vão"Vã. Isso é pesado né? Uma pessoa Vaidosa, é uma pessoa Vã.
E isso fica muito bem expresso em Eclesiastes quando Salomão diz que "Tudo é vaidade e correr atrás de vento". Ora, convenhamos, se tudo que eu disse até agora não te convenceu, isso convenceu!
Enfim, o quê eu quis dizer com este texto? Absolutamente nada. Ora, se tudo é vaidade, este texto também é e, portanto, é vão.
Não queira fazer algo porque é bom, parece bom ou a sociedade julga bom, faça porque Deus gosta disso.
E isso não é vaidade.
Gradow
Ato II
Cena II

"Agora estou sozinho!
Que camponês canalha e baixo eu sou!
Não é monstruoso que esse ator consiga
Em fatansia, em sonho de paixão,
Forçar su'alma assim a obedecê-lo
A ponto de seu rosto ficar pálido,
Ter lágrimas nos olhos, o ar desfeito,
A voz cortada e todo o desempenho
E as expressões de acordo com o papel?
E tudo isso por nada! Só por Hécuba¹!
Que lhe interessa Hécuba? E ele a ela,
Para que chore assim? E que faria
Se tivesse os motivos de paixão
Que eu tenho? Inundaria com seu pranto
O palco, rasgaria com palavras
Horríveis os ouvidos da audiência;
Poria louco o réu, medroso o livre,
Conturbado o ignorante, e estuporados
Os sentidos da vista e dos ouvidos...
Mas eu, canalha inerte, alma de lodo,
Arrasto-me, alquebrado, um João-de-sonho,
Nada digo, porquanto não me enfronho
Em minha causa; causa que é de um rei
A cujo patrimônio e à própria vida
Foi imposta uma trágica derrota.
Sou acaso um covarde? Quem me chama
De vilão? Quem me parte o crânio e arranca
As barbas, para em rosto mas lançar?
Quem me torce o nariz? Quem me desmente
E jura que há de pôr-me pela goela,
Atingindo os pulmões, o que é mentira?
Quem me faz isso? Ai, bem o mereço:
Não o devia ser, mas sou um fraco,
Falta-me o fel que amarga as opressões.
Se não, eu já teria alimentado
Os milhafres do céu com restos podres
Desse vilão lascivo e esangüentado!
Vilão cruel, traidor e incestuoso!
Oh, vingança!
Ah, que jumento eu sou! Isto é decente,
Que eu, filho de um bom pai assassinado,
Chamado a agir por anjos e demônios,
Qual meretriz sacie com palavras
Meu coração, co'as pragas das rameiras
E das escravas!
Arre, que asco! Mas ergue-te, meu cérebro:
Ouvi dizer que quando os malfeitores
Assistem a uma peça que os imita,
Toca-lhes a alma a perfeição da cena
E confessam de súbito os seus erros:
Pois o crime de morte, sem ter língua,
Falará com o milagre de outra voz:
Esses atores, diante de meu tio,
Repetirão a morte de meu pai;
Vou vigiar-lhe o olhar, sondá-lo ao vivo!
Se trastejar, eu sei o que farei.
O fantasma talvez seja um demônio,
Pois o demônio assume aspectos vários
E sabe seduzir: ele aproveita
Esta melancolia e esta fraqueza,
Já que domina espíritos assim,
Para levar-me à danação: preciso
Econtrar provas menos duvidosas.
É com a peça que penetrarei
O segredo mais íntimo do rei."

¹Hécuba: Mulher de Príamo, o rei de Tróia no romance épico Ilíada. Diziam ser a mulher mais bela de toda Tróia.

O trecho acima é um dos mais bonitos e interessantes de toda a obra Hamlet. Nele, Hamlet se debate em três momentos: em morrer de amores, em incapacidade de vingança e em incerteza de vingança.
Hamlet era o príncipe da Dinamarca, filho do falecido Rei Hamlet. Dois meses após sua morte, sua mulher se casou com seu irmão, Cláudio, tornando-os rei e rainha. Inconformado com a recuperação rápida de sua mãe da morte do pai, Hamlet entra em um estado de pseudo-depressão. É assim, nesse estado, que seu amigo Horácio o chama a ver um fantasma que se parece com seu pai. O fantasma lhe diz que é o espectro de seu falecido pai, que fora assassinado pelo irmão e que Hamlet deveria vingá-lo. O fantasma conta que, enquanto o Rei Hamlet dormia no jardim, o seu irmão veio e despejou um venêno em seu ouvido, fazendo-o morrer. Hamlet então entra em um estado, agora, de loucura, pois não só sua mãe "superara" a morte do marido, mas casara-se justo com o assassino deste!
Tendo começado a divagar muito, seus pais se preocupam com ele e chamam o conselheiro real, Polônio. Ele lhes diz que Hamlet, provavelmente está assim, devido ao fato de todas as cartas e declarações que mandara a sua filha, Ofélia, o pai mandara que ignorasse-as, tratando-as como tolice da juventude. De fato, Hamlet amava Ofélia de todo o coração e essa também o amava.
Logo após isso, Hamlet se encontra com dois velhos amigos, Rosencrantz e Guildenstern que lhe avizam que um grupo de atores vem interpretar para o rei. Hamlet então tem uma idéia. Ele pede aos atores que encenem uma peça que retrate uma morte semelhante à de seu pai, pois dizem que se um assassino vê alguém representar seu assassinato, a cena toca-lhe profundamente a alma e ele prontamente confessa. Com isso, Hamlet finalmente decide se o fantasma era o demônio disfarçado ou era mesmo o espectro de seu pai.
Gradow
Ato I
Cena III

"Ainda aqui Laertes! Corre a bordo!
O vento sopra as velas do teu barco
E tu ficas. Recebe a minha bênção.
Guarda estes poucos lemas na memória!
Sê forte. Não dês língua a toda idéia
Nem forma ao pensamento descabido;
Sê afável, mas sem vulgaridade.
Os amigos que tens por verdadeiros,
Agarra-os a tu'alma em fios de aço;
Mas não procures distração ou festa
Com qualquer camarada sem critério.
Evite entrar em brigas; mas se entrares,
Agüenta firme, a fim de que outros te temam.
Presta a todos ouvido, mas a poucos
A palavra; Ouve a todos com censura
Mas reserva o teu próprio julgamento.
Veste de acordo com tua bolsa
Porém sê rico sem ostentação,
Pois o ornamento às vezes mostra o homem;
Que em França, os de mais alta sociedade
São seletos e justos nesse ponto.
Não sejas usurário nem pedinte:
Emprestando há o perigo de perderes
O dinheiro e o amigo; e se o pedires,
Esquecerás as normas da poupança.
Sobretudo sê leal contigo mesmo
E assim como se segue a noite ao dia
Não poderás ser falso com ninguém."

Polônio: Pai de Ofélia, a amada de Hamlet.
Laertes: Irmão de Ofélia.
No trecho citado acima, Laertes estava prestes a viajar para a França e, após um longo diálogo de despedida e aconselhamentos com sua irmã, recebe a bênção de seu pai, junto com alguns conselhos.
Gradow
Ato I
Cena IV

"Se o amor é brutal para contigo, sê tu também brutal para com ele. Se te fere, fere-o também, e vencê-lo-ás. Dai-me uma máscara. Ora aqui está uma máscara a cobrir outra. Que importa agora que qualquer olhar curioso venha esmiuçar as minhas deformidades? Esta fronte de espessas sobrancelhas corará por mim."

Mercúcio: Melhor amigo de Romeu junto com Benvólio.
No trecho acima, os três amigos se dirigiam para o baile de máscaras dos Capuleto. Mercúcio está aconselhando Romeu sobre Rosalinda, a mulher que este amava irremediávelmente, e que estaria na festa.
Rosalinda: Amada de Romeu. Romeu já se declarara diversas vezes para ela, porém ela nunca correspondera ao seu amor.