Gradow
"Ah! doce abrigo de todos os meus pensamentos e de todos os prazeres que senti, querido e único senhor de mim, como um doce acontecimento ficou tão amargo! Você, na flor de sua bela e graciosa juventude, chegou ao fim de seu caminho, sem remédio para a vida por tantos estimada. Você quis morrer quando para tantos a vida é cara, ainda que àquele fim, cedo ou tarde, todos chegarão. Você, meu amado, veio terminar os seus dias no seio daquela que o amou acima de todas as coisas e por quem unicamente foi amado, e onde acreditava que ela estivesse morta e sepultada. Por sua própria vontade, também aqui veio sepultar-se. Sei que jamais pensou em sentir estas minhas amargas e verdadeiras lágrimas. Ainda não se convenceu a partir para o outro mundo sem lá me encontrar. Estou certa de que lá não me encontrando, aqui voltará para ver se eu o acompanho. Sinto que o seu espírito aqui em volta vagando não se vai, e ainda se regozija e se lamenta que eu tanto demore. Amado meu, eu o vejo, eu o ouço, eu o conheço e sei que nada mais espera senão a minha ida. Não tema, não pense que eu queira aqui ficar sem a sua companhia, pois sem você a minha vida seria muito mais dura e muito mais triste do que qualquer espécie de morte que se possa imaginar. Sem você não viveria, e se acaso alguém pensa que eu pudesse viver, esta vida seria para mim um contínuo e tormentoso morrer. Fique seguro que também sempre quis estar a seu lado. E em companhia de quem posso eu sair desta mísera e atormentada vida, ainda que me seja cara e fiel, senão acompanhando-o e seguindo os seus passos? É com você que quero ir."
Romeu e Julieta - Matteo Bandello - P.76
Gradow
Hoje aconteceu algo engraçado na minha sala no colégio... O professor de Geografia fez uma perguntinha besta durante a aula, sobre ventos e etc., e eu, por distração, respondi errado. Qual não foi a minha surpresa ao ver que todo mundo na sala olhava pra mim apontando e rindo - bem como nos desenhos animados! - dizendo "O Ricardo errou?!?". Uns, mais exagerados, acrescentavam "Ai, meu Deus! É hoje que o mundo acaba". Havia, ainda, uns engraçadinhos que diziam "Não, o Ricardo não erra! A única vez que ele errou foi quando achou que tinha errado!" e essa frase me fez pensar... Errei mesmo?
Se a única vez que errei, foi quando achei que estava errado, quer dizer que, afinal!, eu estava certo. Ou seja, nunca errei! Mesmo falando isso brincando, fui rotulado de "soberbo".
O engraçado é que, não importa o que eu faça nessa turma, eu não consigo remover meu status de soberba. Quer dizer, é verdade que sou um pouco convencido - quem não é, ou diz que não, é hipócrita - e sei que sei muito mais que muitas daquelas pessoas na sala, mas isso não é motivo pra tamanho preconceito!, pois, como já disse, todos somos convencidos. Todos somos egoístas. Mas nem por isso todos somos rotulados de soberbos.
Nada contra meu título, que carrego com orgulho, mas só quis ressaltar o quão ignorante a sociedade anda.
Gradow
"Sabe, eu sempre sonhei que faria algo de grande nesse mundo. Sempre imaginei que eu tivesse algum talento, ou algo em que fosse bom. Eu sempre pensei que eu fosse o príncipe que lutara milhares de batalhas em prol de um princesa. Mas parece que nada disso aconteceu. O que devo fazer?"
Tem horas que só dá vontade de jogar tudo pro alto e começar do zero. "Mas você não pode; a vida é assim!". Mas e se eu pudesse? Quem disse que eu não posso? Afinal, quem faz minha realidade não sou eu?
Quem disse que é com os erros que se aprende? Se fosse assim, pra quê haveriam escolas? Ora, se é errando que se aprende, eu posso errar em casa! Muito melhor, eu posso errar sozinho! "É vivendo que se aprende.". Esse eu já não posso comentar sem entender completamente a definção de "vida". Afinal, o que é vida? O oposto de morte? E o que é morte?
Qual é a linha tênue que, dizem, separa as duas? A melhor definição que já ouvi foi "Vamos todos vivendo, e morrendo.". Pronto! O que é a morte senão a vida, e a vida senão a morte? E tudo isso sendo distintas! Se você pensar que a cada dia está mais morto, o medo da morte desaparece num segundo certo? "Estamos todos morrendo e vivendo"...
Consideremos o instante ínfimo do momento em que ganhamos vida (ahá! o erro em nosso cotidiano...). Se nesse instante tínhamos, ainda, "toda a vida pela frente" eu afirmo que é o único momento de nossas vidas (olha ele aí de novo) eu que estávamos vivos. Ou seja, não vivemos: morremos. Ao mesmo tempo, não morremos: vivemos.
Mas tudo isso é muito complicado de entender e, da mesma proporção, inútil de se fazer o mesmo. Então, vivamos na ignorância, vivendo a morte viva, aprendendo com os erros e errando em aprender.
Gradow
"Ser ou não ser, essa é que é a questão.
Será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna
Ou tomar armas contra um mar de escolhos e enfrentando-os vencer?
Morrer - dormir. Nada mais.
E dizer que pelo sono findam-se as dores, como os mil abalos inerentes à carne,
É a conclusão que devemos buscar.
Morrer - dormir. Dormir! Talvez sonhar.
Eis o problema, pois os sonhos que vierem nesse sono de morte,
Uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar.
Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida.
Quem suportará os golpes do destino,
Os erros do opressor, o escárnio alheio,
A ingratidão no amor, a lei tardia,
O orgulho dos que mandam, o desprezo que a paciência atura dos indígnos,
Quando podia procurar repouso na ponta de um punhal?
Quem carregará suando o fardo da pesada vida
Se o o medo do que vem depois da morte,
- o país ignorado de onde nunca ninguém voltou -
Não nos turbasse a mente e nos fizesse arcar c'o mal que temos
Em vez de voar para esse, que ignoramos?
Assim nossa consciência se acorvarda
E o instinto que inspira as decisões desmaia no indeciso pensamento;
E as empresas supremas e oportunas,
Desviam-se do fio da corrente e não são mais ação.
Silêncio agora!
A bela Ofélia, ninfa em suas preces, recorda os meus pecados!"
Gradow
Bem, como é o post de estréia não haverá nenhum pensamento, frase nem nda do tipo... Apenas essas boas vindas e até mais ver
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